geleias caseiras e lojas locais

A vida consumista é cheia de escolhas. Ah, essa globalização, esses Burger Kings e lojas internacionais invadindo nossas fronteiras e trazendo tanta coisa linda. E tanta coisa feia. Quando eu estava em Berlim, conheci um irlandês guia com uma consciência disso bem interessante. Certa altura, numa feira livre, na frente de uma barraca fofa cheia de potes de geleia, ele me disse uma coisa engraçada que ficou gravada na minha cabeça, porque fez pensar.

Olha isso… as pessoas agora inventaram de vender geleia. Como se eu, do alto dos meus 30 anos, não fosse capaz de fazer geleia em casa.

Cara, eu pensei: pior que é VERDADE. Quando vi, estávamos eu e ele ensinando minha amiga a fazer geleia (esmaga o morango, joga na panela, coloca muito açúcar, mexe com uma colher de pau e tá pronta). Simples assim. Por que a gente complica tanto, e gasta mais e come pior  e perde a diversão da coisa? Ai, que vontade de suspirar que deu agora.

Aí tem aquilo que a gente não sabe, não consegue ou não quer fazer em casa. E tem 245 anúncios e lojas tentando nos entregar, prontinho e manufaturadinho, na nossa mão. Muita coisa boa, sim, é evolução. Mas… você sabe pra onde tá indo o dinheiro que é seu e foi tão difícil de chegar na sua mão? Foi outra coisa a que meu amigo irlandês (cujo nome eu nunca descobri) me inspirou: tentar comprar mais de lojas locais, marcas pequenas, barracas de gente que eu conheço e merece ganhar meu dinheiro.

Por hora, é isso. Tô aqui pensando meio com a consciência pesada de ter comprado um Chilli Beans, sendo que poderia ter passado num brechó e sido feliz. Mas tudo tem seu momento e até o Caito Maia precisa comprar pão, né?

Dá um clique aqui pra ver um infográfico bacana sobre esse assunto.

Dá um clique aqui e leia nosso manifesto.

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3 pensamentos sobre “geleias caseiras e lojas locais

  1. Isso vai bem de encontro à filosofia do movimento Slow Food. Além disso, há dois livros que abordam o tema: O Dilema do Onívoro e Em Defesa da Comida – Um Manifesto, ambos de Michael Pollan.

  2. Amei esse post!
    Eu cresci dando muito valor a comprar coisas prontas. Tinha uma mentalidade de que era uma enorme perda de tempo gastar horas na frente de um fogão, pra depois acabar com tudo em poucos minutos. Ou passar dias trabalhando em uma roupa na máquina de costura, quando você pode comprar 10 peças em uma única tarde.
    Faz alguns anos que comecei a descobrir o gosto de fazer eu mesma ou saber observar os detalhes únicos daquilo que foi feito com calma, artesanalmente, com amor e capricho por outra pessoa. E digo, sem medo, que isso dá um valor muito maior aos simples momentos da vida. Tudo fica mais especial. Do que você veste, ao que você come. Do presente que você dá a um amigo, àquilo que você se compra. Isso não tem preço.

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