minha marcha começou em 1987, andou uns milhões de quilômetros e atinge 7 bilhões de gentes.

Estou aqui na casa dos meus pais e percebi uma coisa muito bacana: desde muito antes disso ser capa da Vida Simples ou tema de curso na Vila Madalena, eles construíram uma forma de vida alternativa. Sem achar que é estiloso, que é chique ser alternativo, não. Simplesmente é deles. A TV aqui é ligada pouquíssimas vezes e a hora do jantar com conversa entre todo mundo é valorizada, a comida é feita em casa, as escolhas são muito mais baseadas em nortes espirituais que em fanfarra cara e superficial que acaba em 2 minutos. Minha mãe costura e faz muitas coisas, meu pai toca violino. Eles criaram a cultura deles, o folclore deles, a economia global deles.

E cada vez mais conscientemente escolhi seguir o mesmo caminho. : )

De vez em quando me dá uma dor de mundo muito forte, aquela coisa bem “we are doin’ it REMARKABLY WRONG”, desespero do tipo ir chorar no banheiro do trabalho, mesmo. Às vezes, acredito que tudo – o trânsito, a economia, a psicopatia – vai travar num nó horrível.

Não sei, de repente vai mesmo. Mas paro, respiro, e coloco tudo em perspectiva quando percebo que o mundo é grande, mas uma pessoa só é maior que ele todo. Vendo meu extrato no banco e seus impostos, lendo matérias sobre economia global ou os políticos miseráveis, vejo como elas andam me afetando pouco, porque eu escolho não ser afetada tão contundentemente.

Sou gastona sim, e estou longe de ser auto-sustentável, mas ando gostando cada vez mais de fazer uma competição de pizza ou a festa do fondue em casa que ir numa balada cara e aporrinhante da Augusta. (Ainda) não tenho minha própria horta, mas levo minha própria comida pro trabalho, estou sem grana pra pagar cursos caríssimos e inatingíveis mas ando lendo bastante de graça, tento criar muitas coisas boas, ando de transporte público (e até ele já me encheu, mesmo eu achando o de São Paulo muito bom – estou andando horas pra chegar num lugar, mas não me conformo mais com passar 20 minutos parada no mesmo lugar, esperando). Mesmo elevador já está me enchendo o saco. Gente. Escada não quebra, é mais rápida e faz bem pro coração. : )

Quanto mais nós somos os donos dos nossos próprios serviços, produtos e cultura, menos ficamos escravos deles. De esperar o ônibus, de mandar o celular pro conserto, da oscilação do preço da gasolina, das tarifas do cartão de crédito, de pagar caro pra ver um filme que defende algo que você discorda no cinema. Às vezes, não tem o conforto da comida no prato ou do carro com ar condicionado, mas vem um conforto interno muito maior. É verdade, eu sinto.

Mover a economia? Prefiro mover minhas próprias pernas!

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Um pensamento sobre “minha marcha começou em 1987, andou uns milhões de quilômetros e atinge 7 bilhões de gentes.

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